domingo, 4 de março de 2012

O COSTUME DO DÍZIMO E SUA APLICAÇÃO ATUAL

Estou lendo o livro que se chama "A liberdade da simplicidade" escrito pelo autor Richard Foster, fundador da RENOVARE, uma organização cristã voltada para a renovação da igreja. É um livre gostoso de ler, claro e que convoca todos os cristãos e renovarem seu pensamento em relação às coisas deste mundo e a simplicidade de vida que somos chamados por Jesus a viver. Lendo esse livro entendi que não é possível falar sobre dízimo isoladamente, sem mencionar no conjunto a obediência, generosidade, justiça, o jubileu, etc., que eram valores que Deus tinha instituído para moldar eticamente o povo israelita.


Entre outras tantas coisas que ele escreveu, vou transcrever, na íntegra, os parágrafos abaixo acerca do dízimo, para não mudar nenhum sentido que o próprio autor tenho objetivado. Já escrevi algumas vezes fortemente contra o dízimo do Velho Testamento e o papel que ele tem na vida dos crentes em Jesus Cristo que vivem no Novo Testamento. Espero que o autor possa lançar nova luz sobre o tema para aqueles que ainda creem que em dando o dízimo, afastamos o deverador de nossas casas!

"Semelhante à lei dos primeiros frutos, o dízimo era um conceito de alegre celebração. Na época Jesus, porém, essa prazerosa regra foi distorcida e sujeita aos maiores abusos, como ocorre nos dias de hoje. É lamentável constatar que o dízimo, cujo propósito era ser uma expressão de liberalidade e liberdade, tenha se transformado em mais um meio de escravizar as pessoas.

O costume de dar o dízimo é mencionado na Bíblia pela primeira vez num episódio que envolve Abraão. Ele estava retornando de uma operação bélica de retaliação e com alegria entregou a Melquisedeque o dízimo do espólio de guerra. E colocou o restante nas mãos do rei de Sodoma. O rei não queria recebê-lo, mas Abraão insistiu, justificando: 'Para que você jamais venha a dizer: 'Eu enriqueci Abrão' ' (Gênesis 14:17-24). A generosidade de Abraão era um ato de celebração do poder de Deus sobre os inimigos. Longe de contabilizar cada shekel para garantir sua porção, seu despojo era livrar-se de tudo aquilo. Um espírito de alegria e de liberdade estava intimamente ligado ao seu ato de desprendimento.

A lei mosaica conservava esse clima festivo. Todo dízimo da renda dos israelitas e os primeiros frutos deviam ser sempre entregues num clima de celebração pela generosa provisão de Deus. O dinheiro era usado para sustento dos levitas, dos estrangeiros e dos pobres necessitados. Era usado também para patrocinar os eventos que festejavam a generosidade de Deus:

Separem o dízimo de tudo o que a terra produzir anualmente. Comam o dízimo do cereal, do vinho novo e do azeite, e a primeira cria de todos os seus rebanhos na presença do Senhor, o seu Deus [...] para que aprendam a temer sempre o Senhor, o seu Deus [...] Com prata compre o que quiserem: bois, ovelhas, vinho ou outra bebida fermentada, ou qualquer outra coisa que desejarem. Então juntamente com suas famílias comam e alegrem-se ali, na presença do Senhor, o seu Deus. E nunca se esqueçam dos levitas que vivem em suas cidades, pois eles não possuem propriedade nem herança próprias (Deuteronômio 14:22-27).

Na prática, isso correspondia a participar de um grande evento religioso com todas as despesas pagas. O dinheiro do dízimo era utilizado para patrocinar uma festa santa e gloriosa. Na essência do dízimo repousava um espírito radiante de generosidade, adoração e celebração.

Havia mais. Nas regulamentações concernentes aos dízimos, percebemos o cuidado especial que Deus tinha para com os pobres e necessitados, cuidado este que é sempre um ingrediente importante na simplicidade. Os dízimos recolhidos no terceiro ano de cada três anos eram separados e distruibuídos exclusivamente entre os que não tinham condições de se sustentar. 'Ao final de cada três anos, tragam todos os dízimos [...] para que os levitas [...] e os estrangeiros, os órfãos e as viúvas [...] venhma comer e saciar-se' (Deuteronômio 14:28,29). Naquela sociedade agrária, a terra era o principal meio de sustento, de modo que os levitas e os estrangeiros não tinham acesso a essa fonte de renda. Na cultura patriarcal, os órfãos e as viúvas também não tinham como se sustentar. Era esse o quadro da sociedade judaica naquele período, sendo os quatro grupos mencionados os menos capazes de cuidar de si mesmos. O compassivo cuidade de Deus para com eles foi o motivo da inclusão dessa provisão na lei do dízimo.

Devemos identificar, no contexto do mundo atual, aqueles que na Bíblia são representados pelos levitas, estrangeiros, órfãos e viúvas. Não seriam, na realidade de nossa cultura, os excluídos da sociedade, que não dispõem de nenhuma fonte de renda? Se for assim, não teríamos a obrigação de ajudá-los?

É digno de nota que o Novo Testamento não utiliza os termos 'dízimo' nem 'primeiros frutos'. Apesar de Jesus ter dito muita coisa a respeito de nossa atitude para com os bens materiais, ele menciona o dízimo  apenas duas vezes - e de maneira negativa em ambos os casos (Mateus 23:23; Lucas 18:21,22). O apóstolo Paulo faz constantes menções do ato de ofertar, mas a ausência da lei do dízimo é claramente percebida. Nem Jesus nem Paulo fazem do dízimo a base da mordomia cristã."   

Lendo o texto bíblico de Gênesis 14, é possível entender que Abraão dizimou para Melquisedeque daquilo que não lhe pertencia, era não somente o espólio que estava sendo dizimado, mas muito provavelmente o que também pertencia a Ló. Pelo contrário, ele até mesmo quis se ver livre daquele espólio dizendo ao rei de Sodoma que ele não levaria nada do que lhe pertencia. Lendo e relendo o texto bíblico, é notório que a preocupação de Abraão não era de uma generosamente tal que o impelia a dividir o espólio, dizimando, mas bem clara outra, não queria que o rei depois viesse a dizer que ele o tinha enriquecido.
  
Com mais de 40 anos dentro da igreja, jamais participei de alguma festividade para comer dos dízimos que a igreja alegremente havia arrecadado! Nunca vi igreja pagando nada para ninguém, pelo contrário, fazendo churrasco aos domingos, cobrado, para arrecadar mais dinheiro. Se ao menos uma vez isso tivesse acontecido, minha vida teria sido impactada de forma diferente. Aprendi a temer ao Senhor não por essa atitude (que nunca foi tomada), mas pelo exemplo da vida dos meus pais. 

Antes de termos sido abençoados financeiramente por Deus, coisa que nunca deixo de agradecer e reconhecer, quando nossa família veio para Curitiba, isso nos idos dos anos 70, e éramos crianças pequenas, tínhamos bem pouco e passamos muitas dificuldades financeiras. Eu pergunto: E o dízimo que era para ajudar os pobres, necessitados, para onde foi? Certamente que nada nunca nos faltou, mas isso são outros quinhentos, pois foi a misericórdia de Deus pela minha família que nos supriu em tudo.

Se na essência do dízimo mosaico repousava um espírito radiante de generosidade, adoração e celebração, o espírito que paira nas igrejas evangélicas quando arrecadam o dízimo é o espírito de Mamom! "Vamos arrecadar, vamos construir, vamos sugar o povo, vamos criar o trízimo, o quadrízimo, etc.!" Onde isso tudo vai parar? Mas Jesus Cristo está para voltar e virá para condenar os pastores que comeram da gordura das ovelhas dEle e se aqueceram com a lã do Seu rebanho. Ai, ai, ai... 

Não deixe ser enganado por esses cães judaizantes (termo que já foi empregado antes pelo apóstolo Paulo) que insistem em uma tradição judaica que nada tem haver com nossa vida cristã de Graça em Jesus Cristo!

Escrito e publicado aqui por Éber Stevão  

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