sexta-feira, 15 de maio de 2009

A MENTIRA PREGADA PELO EVANGELHO MOTIVACIONAL



O texto que segue abaixo está copiado ipsis literis do livro "Jesus o maior de todos" do autor Charles R. Swindoll que critica fortemente o evangelho falso chamado de motivacional. É mais um embuste dos dias atuais que tem entrado à igreja professante de Jesus. Esse texto é extremamente relevante para meditarmos nos dias atuais. Que decepção é para o novo convertido, que frequenta determinada comunidade evangélica que prega abertamente do seu púlpito a motivação e o pensamento positivo cristão, quando ele descobre a verdade! Mas que bom que ele acaba por descobrir a verdade, pois é ela que nos liberta de nós mesmos, dos outros e de satanás.

"Quer dizer, o renascimento espiritual não deveria ser cativante? A sabedoria divina não é o resultado de um encontro estático no qual o Espírito de Deus nos toca de maneira mística? Muitos pregadores de televisão e rádio fazem com que a vida espiritual pareça tão excitante como um milagre que um dia acabará com todos os nossos problemas. Alguns falam de 'vida vitoriosa' e 'boa vida' na qual todos os nossos sonhos se realizarão se simplesmente escolhermos viver pela fé e pedir o melhor a Deus!

Isso não é vida abundante. Isso nada mais é que um verniz epiritual que encobre a idéia do 'poder do pensamento positivo'. É a mesma conversa que você ouvirá de qualquer palestrante motivacional em qualquer parte do país, com alguns versículos bíblicos enxertados no meio (normalmente fora do contexto) para dar um brilho de santificação.

Graças aos filmes de enorme sucesso, aos passeios cheios de emoção e aos anúncios atraentes, passamos a acreditar que, se a vida não for 'sensacional', alguma coisa deve estar errada. Devemos ser magros e belos, perseguir uma carreira que é constantemente desafiadora e recompensadora, ficar ricos e famosos e desfrutar uma vida familiar dinâmica e realizadora. Se não tivermos cuidado, podemos aplicar essas expectativas a nossa jornada espiritual e deixar de ver a mão de Deus no eventos comuns da vida. E, ainda mais trágico, podemos deixar de reconhecer o ensinamento gentil do Senhor no meio das provações mais dolorosas da vida.

Muitos anos atrás, fui convidado para falar num pequeno seminário teológico. O novo diretor lutava com todas as forças para ajudar a escola a superar seus mais recentes problemas, e aquele grupo era formado de pessoas realmente sérias. Coloquei-me à disposição para ajudar como pudesse. Ele me saudou com um enorme entusiasmo assim que cheguei ao terminal do aeroporto. Quando perguntei 'Como vai?', ele respondeu alto e em bom som com um enorme sorriso: 'Fantástico!' Estendi a mão, e ele a chacalhou tão forte que senti dor no ombro.
- Puxa, isso é muito bom - disse eu. - Como vai o semin...
- Maravilhoso! Excelente!
Pensei comigo mesmo: 'Ok, nada está assim tão bem". Mas preciso admitir que seu entusiasmo era contagiante. Ele era exatamente o que os especialistas em motivação e liderança dizem que você deve ser. Embora eu acredite de todo o coração que é preciso enfrentar cada desafio com uma atitude positiva, isso não quer dizer que devemos abandonar a autenticidade e viver na terra da fantasia.

Um ano depois, voltei para falar no seminário, e ele se encontrou comigo de novo. Como no ano anterior, tudo estava 'Fantástico!', embora a quantidade de alunos tivesse diminuído sensivelmente e a preocupação pairasse no ar como nevoeiro. Ele estava sonhando.

Algum tempo depois de minha segunda viagem e antes da terceira, seu mundo desabou. Sua esposa o deixara, seus filhos estavam perdidos, a escola tinha problemas financeiros e a lista de alunos atingira o nível mais baixo de todos os tempos. A instituição estava prestes a fechar as portas. Quando cheguei ao teminal, agora familiar, não o vi em pé no lugar onde costumava ficar. Ele estava sentado num banco com a cabeça baixa, claramente distraído, até que caminhei até ele e me coloquei bem à sua frente.
Ele olhou para cima sem dizer uma palavra. Peguei-o pelos ombros, coloquei-o em pé e o abracei.
- Como vai? - perguntei.
Ele me abraçou em silêncio. As lágrimas caíram pesadas de seus olhos enquanto ele dizia:
- Estou crescendo e aprendendo. Mas não sou mais fantástico.
A dor havia inscrito meu amigo num curso muito difícil, um que lhe daria um diploma de especialização em realidade e quebrantamento.

Escrito e publicado por Éber Stevão

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